Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

O Trabalho e a Vida

Ontem de manhã, no comboio para Lisboa, assisti ao cumprimento de dois amigos, que iam reiniciar o trabalho, depois de gozadas as, merecidas, férias.

Então, foi assim!:

Eh! pá, então as férias? Foram boas? – Diz um, enquanto cumprimentava o outro com um aperto de mão. – Foram óptimas. E as tuas? – As minhas também foram boas, felizmente. Consegui abstrair-me de tudo. Consegui descansar …

O diálogo continuou, até que ouço um deles dizer:

- Quem é que há-de aguentar aquele tormento mais um ano. Se pudesse, não punha lá mais os pés…

Obviamente estava-se a referir ao trabalho. O aspecto desolador e angustiante de quem o disse, impressionou-me.

Se vivêssemos numa sociedade perfeita, o trabalho seria visto, sentido e entendido como uma componente da vida. Contribuiria para a felicidade das pessoas, á semelhança do lazer, convívios ou passeios e consequentemente permitiria qualidade de vida.

Que bom, que era, se assim fosse. Mas, não é.

De facto, nas condições em que se realiza, actualmente, o trabalho, este torna-se incompatível com o direito constitucional á felicidade, liberdade e bem estar dos cidadãos.

O trabalho, nos dias de hoje, é desenvolvido debaixo de opressão, em que, quem o desenvolve se sente preso e explorado, e só aceita tais condições, porque necessita dos magros recursos que lhes permitem sobreviver.

Horários superiores aos permitidos por lei, falta de apoio á família, ambientes em que só são valorizados os que passam muito tempo nos seus postos de trabalho, atropelos nas carreiras profissionais, concorrência desleal, promoções duvidosas, são simples exemplos, reais, da violência que ataca a própria dignidade humana.

A lógica destes procedimentos tem a ver com a eficiência, produtividade e, logo, a competitividade, que não é conseguida, porque estas condições de trabalho, de certa forma escravizantes, são contrárias ao que é racionalmente recomendável; Mas, entretanto, exige o sacrifício de certos valores humanos, como o convívio, respeito e consideração pelos outros. Quem acredita que seja possível manter um trabalho proveitoso e rentável, em períodos directos, acima de dez ou doze horas!?. Quem acredita na qualidade do trabalho de uma pessoa desmotivada!?. Quem acredita no trabalho sobre pressão!?. Penso, que ninguém. Ou, se calhar alguns, mas poucos.

No interesse de todos, patrões e trabalhadores, é preciso criar condições de trabalho em que cada um se sinta útil, realizado e feliz. Quando isto acontecer, as pessoas sentirão e entenderão o trabalho como parte da vida. A sua dedicação será maior, a famigerada “competitividade” será conseguida sem opressão e violência psicológica e não ouviremos mais alguém referir-se ao trabalho como um “tormento”.

 

Pode ser que se dê um milagre!

 

Jcm-pq

publicado por jcm-pq às 15:34
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6 comentários:
De TiBéu ( Isa) a 27 de Agosto de 2008 às 11:39
Este mundo de forma como está preocupa-me. Mais... mais... a mais, não interessa como fica ou as condições, só interessa os numeros.. rrrsss. O meu meio século já vivido diz-me que esta forma de estar na vida é pouco s^. RRRSSSSS
beijo e volta sempre


De jcm-pq a 27 de Agosto de 2008 às 19:49
Olá TiBéu!

E é de preocupar!. O egoísmo e a ambição desmedida são desumanas e antisociais!.
Obrigado pela visita!.
Um beijinho.

Jcm-pq


De cuidandodemim a 27 de Agosto de 2008 às 23:28
Concordo plenamente com tudo o que escreveste.
A mim o que me vale é a motivação e realização que os utentes me dão, porque senão, com a precaridade em que está a minha profissão já tinha desmotivado há muito tempo...
Óptimo tema de reflexão!!!


De jcm-pq a 29 de Agosto de 2008 às 18:24
Olá Cuidandodemim!

Não sei qual a tua profissão para ter noção do nível de precariedade!. Mas, ainda bem que algo te motiva!. Faz tudo o que estiver ao teu alcance para o preservar!. Tornar-te-á a vida mais fácil!

Obrigado pela visita!.

Jcm-pq


De azuldoceu a 28 de Agosto de 2008 às 19:20
Concordo com tudo o que disseste. Infelizmente vivemos num mundo em que as pessoas são consideradas como um numero e não como seres humanos.
Obrigada por me teres adicionado
Bjs


De jcm-pq a 30 de Agosto de 2008 às 17:53
Olá Azuldoceu!

Obrigado pela visita!.
É pena não podermos mudar esta triste realidade: “As pessoas são tratadas como números”.
Eu é que devia ter-te agradecido, antes, por me teres adicionado ao teu grupo de amigos!.
Um beijinho
Jcm-pq


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