Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Contos moralistas

Na sociedade actual, cada vez se assiste mais a atropelos e concorrência desleal entre as pessoas. É quase uma selva ou um salve-se quem puder. Sabemos que está mal, ou pelo menos toda a gente diz que sim com a cabeça, mas a culpa nunca é nossa, é sempre dos outros.

Sabemos que temos uma missão. Toda a gente tem uma missão, mas será que nos preparamos, convenientemente, para a cumprir?. Se calhar, não!!! E, não será esta a causa dos males e defeitos que vemos na sociedade?

Há muito tempo contaram-me um conto. Na altura não o percebi, nem vi qualquer moral a tirar dele. Achei que era mais uma história da carochinha. Hoje, vejo e sinto que esse conto “antigo” permanece muito actual.

 

Vou dar o meu melhor na sua reprodução!.

 

Os Aguadeiros do Rei

 

Num reino muito distante, o Rei mandou construir o seu Castelo no ponte mais alto e inacessível do território. A localização era óptima, quanto a defesa e segurança, mas não tinha água. No planalto que circundava o morro onde fora construído o Castelo, havia duas nascentes. Uma do lado Norte a outra do lado Sul. O acesso a ambas era muito difícil.

Para abastecer o castelo de água, o rei contratou dois aguadeiros. Um para cada nascente. Um era alto, forte, bem constituído fisicamente, dextro e muito perspicaz. O outro, era em tudo, inferior. O que mostrava melhores atributos e qualidades ficou com a nascente Norte e obviamente o outro com a do lado Sul.

A tarefa de cada um, era encher o reservatório que lhe competia. Logo que estivesse cheio, podia parar e não fazer mais nada. A sua missão, diária, estava cumprida.

O aguadeiro perspicaz, preparou o acesso á nascente, de forma a permitir-lhe ligeireza, para que mais rapidamente enchesse o reservatório que lhe competia e ficar assim, com tempo livre para passear e descansar. Então optou por fazer atalhos, com alguma inclinação e com degraus mais altos que o normal. Num ápice concluiu a obra. O acesso, embora melhorado, estava longe de se considerar bom. Isso não preocupou o aguadeiro, porque era forte e fazia o percurso com facilidade. Em meio dia enchia o seu reservatório. O resto do dia passava-o a dormir ou a dar conversa aos guardas do Castelo.

O outro aguadeiro, também preparou o acesso, á sua nascente, de forma a permitir-lhe ligeireza e condições para cumprir a sua missão. Como era mais fraco fisicamente, escolheu inclinações menos acentuadas, fez degraus simples e normais e foi mais longe. Ao longo do percurso criou zonas de descanso, onde plantou árvores, flores, e, fez um banco, grosseiro, em cada uma, para se poder sentar. Demorou mais tempo que o outro, mas ficou óptimo. Criou um acesso mais longo, mas mais fácil. Plantou árvores e flores que tinha de regar. Como tinha zonas de descanso, quando passava nelas, descansava. Levava o dia inteiro para encher o reservatório que lhe competia.

Ao fim do dia quando se encontravam nos aposentes, o primeiro ria. – Durante a tarde não fiz nada, estive aqui de papo para o ar – Dizia com ar de gozo – E o rei até me elogiou por ter sido tão rápido – Acrescentava. – Ainda bem – Era a resposta do outro.

Passado algum tempo o aguadeiro da nascente Norte, começou a ter dificuldades em encher o reservatório, no meio dia de que ele tanto se gabava. Gradualmente o tempo foi aumentando, até que em dada altura, acabava de encher ao mesmo tempo que o outro. Por vezes, quando chegava aos aposentes o companheiro já lá estava. Chegava tão cansado, que dava pena. Deitava-se sem dizer uma palavra.

O aguadeiro da nascente Sul mantinha o mesmo ritmo e não se notava qualquer alteração na sua conduta. Continuava a cumprir a sua missão com eficiência.

Aconteceu, que o Rei farto de estar limitado ás muralhas do castelo, resolveu fazer uns passeios. Escolheu os caminhos dos aguadeiros, e alternadamente ia ás duas nascentes. Quando ia á nascente Norte, a Rainha queixava-se do mau humor do Rei e comentava o seu visível cansaço. Quando ia á nascente Sul o efeito era exactamente o contrário. O rei chegava de bom humor e fresquinho que nem uma alface.

Algum tempo depois, o aguadeiro da nascente Norte adoeceu e teve de ser substituído. Faleceu passado algum tempo. O motivo da morte foi o terrível cansaço que dele se apoderou. O da nascente Sul, continuou ao serviço e a cumprir a sua missão, por longos e longos anos.

O Rei continuou a fazer os seus passeios, mas só à nascente Sul.

 

Moral da história. Cada um tire a que entender!!!.

 

Jcm-pq

publicado por jcm-pq às 10:43
link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De cuidandodemim a 17 de Dezembro de 2008 às 14:52
Haveria muito que dizer acerca da história que conta.
Todos nós temos uma missão a cumprir na vida, um trabalho, uma ocupação, um dever. E temos de os cumprir da melhor maneira possível. Por vezes não gostamos daquilo que temos, é certo, mas há que encontrar meios e estratégias para fazer esse propósito o melhor que conseguirmos e com a melhor qualidade que soubermos colocar nele.
Quem não o fizer com gosto, paciência, dedicação, calma e aceitação está condenado a viver mal e fazer da vida um lugar pior do que seria se nela colocassem todos esses ingredientes e ainda mais alguns...
Bjns


De jcm-pq a 20 de Dezembro de 2008 às 15:13
Olá Cuidandodemim!

A moral que tirei da história que contei foi o de que nos devemos aplicar ao máximo e utilizar tudo o que estiver ao nosso alcance para proporcionarmos o nosso meio de vida da melhor maneira!. Seguir a vida pelo melhor caminho! Uma das muitas formas é eliminarmos da mente, a inveja, a arrogância, a competição desleal, os atropelos ao próximo, etc… etc… etc... Se o conseguirmos, certamente encontramos o que tanto procuramos: A felicidade!

Beijinhos

Jcm-pq


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Outubro 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


.posts recentes

. Não há fumo sem fogo!

. A agonia Cipriota

. Os erros e as consequênci...

. Termas de Monfortinho/Mon...

. Agora ao trabalho

. Novo Governo em Funções

. O Novo Governo

. Os Animais Também Amam

. Preocupação

. Campamha Eleitoral - Frus...

.arquivos

. Outubro 2014

. Abril 2013

. Março 2013

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Julho 2009

. Junho 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Março 2008

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds