Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

Agora ao trabalho

Pronto!. Face aos objectivos e compromissos assumidos, o governo planeou, apresentou o plano para discussão, e, com alguns ajustamentos foi aprovado pela maioria, e, ao contrário do que se temia, sem moções de rejeição. Agora, ao trabalho!...

 

Agora ao trabalho e que cada um se coloque no devido lugar e assuma, conscienciosamente, as suas responsabilidades e deveres. Acho que ninguém tem dúvidas de que a situação não está para brincar às políticas, aos poderes ou ao “bota abaixo”. As forças políticas que apresentaram alternativas, lógicas, aos pontos de que discordavam, devem mantê-las em aberto e o governo não as deve esquecer. Nesta conjuntura, podem ser de aplicação difícil ou impossível, mas no futuro pode muito bem, não ser assim. Recordo-me da proposta do PCP em relação à renegociação da divida. Sem dúvida que, neste momento, era óptimo para o país. Mas, tenta-lo agora!? A meu ver era perder tempo e criar desconfianças!. Se calhar no futuro, até pode ser possível, se conseguirmos a  confiança dos nossos credores, nos tornemos um mercado apetecível e recuperarmos poder negocial!.

Não foram novidade as medidas de austeridade apresentadas. Já esperávamos por elas!... Quem deve!..., tem de pagar!... O orgulho e seriedade, assim o exigem. Para já, rezemos para que sejam suficientes as medidas, de choque que vão ser aplicadas!.

A medida mais criticada e badalada foi a do corte no Subsídio de Natal. Claro que um corte no rendimento quando o custo de vida sobe, custa aceitar de boa cara!... Mas, tendo em conta as isenções consideradas, acho que para o nosso bom nome, vale o sacrifício!. A aplicação a rendimentos superiores ao ordenado mínimo é justa. Proteger os mais desfavorecidos é uma questão de justiça e obrigação social. Penso, que em termos de isenção, ainda se podia ir mais longe: Isentar rendimentos equivalentes a dois ordenados mínimos, permitia, a meu ver, que as famílias fizessem no Natal, exactamente os mesmo que fariam sem corte. Digo isto, porque, assim, os rendimentos abrangidos, suportavam, sem alterar, o nível de vida de quem os aufere (um corte de 100 euros num ordenado de 800, produz um efeito diferente do que 1.000 num ordenado de 3.000).

Sei que vai haver contestação dos mais variados agentes económicos. Cada um à sua maneira vão levantar a voz. Vozes essas que não levam a nada!. Podem até prejudicar (ex. greves). Acho que em vez de contestação, todos os agentes económicos, sem excepção, devem é pensar na maneira de combater estas medidas, com outras medidas que vençam estas. Para isso, só vejo três formas: Produzir o máximo, exportar mais e importar menos. A nós, cidadãos, cabe trabalhar, colaborar e facilitar a aplicação das medidas. Ao governo, mais propriamente, aos Ministérios das Finanças, Economia,  Agricultura, justiça e Negócios Estrangeiros criar mecanismos que permitam: Controlar e gerir as medidas de choque de modo a torná-las suficientes, relançar a agricultura e a industria apoiando as pequenas e médias empresas na produção de bens transaccionáveis, combater os “lobbies” e corrupção que tanto mal fazem à economia e procurar novos mercados externos desenvolvendo as exportações.

Com os devidos ajustamentos, penso que o caminho terá que ser este!... A ver vamos!...

publicado por jcm-pq às 09:29
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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

Nasceu sem nada e morreu sem nada

 

Nasceu sem nada e morreu sem nada

 

António Monteiro, foi o segundo filho de um casal que vivia da caridade. O irmão, João, tinha mais dois anos que ele. A casa onde viviam, era um palheiro emprestado, térreo de espaço aberto e de telha vã, muito quente no Verão e muito frio no Inverno. Uma lareira, sem chaminé, num canto, aquecia o ambiente. As camas, enxergas, em cima de uma tarimba, estavam prostradas perto da lareira. Era um lar que tinha pouco mais que zero. Os pais que nunca se preocuparam em arranjar trabalho viviam de esmolas. Saíam de manhã, com saco ás costas e de porta em porta, na aldeia e em aldeias vizinhas, pediam ajuda. Eram bem conhecidos de toda a gente. Com pena, piedade e por caridade as pessoas davam algo do pouco que tinham: Alimentos, na maioria, já cozinhados, roupas e utensílios usados. Raramente, dinheiro. Destas parcas esmolas vivia esta família. Os dois filhos logo que cresceram, seguiram o mesmo caminho.

O António era um miúdo muito vivo. Cedo se apercebeu da miséria em que vivia.  Olhava os miúdos da sua idade e tinha pena de não viver como eles. Sonhava com uma casa como a deles!!!. Sonho esse, impossível de realizar a pedir esmola. Sentia-se o mais pobre dos pobres!!!.

Aos 12 anos conseguiu que um pequeno construtor civil lhe desse trabalho como servente de pedreiro. Embora, o salário fosse muito pequeno, permitiu melhorar substancialmente a vida da família. O irmão, vendo que era melhor ter dinheiro que pedir, seguiu-lhe o exemplo. Com dois salários, já podiam comprar a maior parte do que necessitavam para viver. Recebiam á semana. A meio da semana seguinte, já não havia dinheiro. Os pais gastavam tudo. Acomodados á situação, saíam uma vez ou duas, por semana, a pedir. Basicamente viviam á custa dos filhos!. Foi assim, durante dois anos. Os filhos trabalhavam e os pais ficavam em casa.  Como era de prever não amealhavam nada e continuavam a viver mal.

O João, com 17 anos, começou a ver que assim não melhorava a sua vida. Um dia pôs os pontos nos i´s: - Do meu salário vou-lhes dar metade para gastos da casa, e a outra metade vou juntar. – Disse aos pais. Estes ainda barafustaram, mas tiveram que aceitar. Aos vinte anos, com a profissão de pedreiro, casou e fez uma vida normal. Estabeleceu, dar aos pais, um montante para sobreviverem.

O António queria ir mais longe. Seguiu o exemplo do irmão: Começou a amealhar metade do salário. Mas, era pouco para a sua ambição. Dava voltas á cabeça, tentando descobrir, a maneira de ganhar mais dinheiro!!.

Algumas famílias da aldeia que tinham hortas, habitualmente criavam um animal doméstico para vender: Porcos, cabritos e borregos eram os mais comuns. António pensou nisto, mas não tinha horta!. Ao saber que um proprietário, por motivos de saúde, queria arrendar a sua, nem pensou duas vezes!. Tinha dinheiro, mais que suficiente, que lhe permitiu pagar a renda de um ano. Comprou cinco borregos pequenos. Ao fim de três meses vendeu-os pelo dobro. Comprou mais cinco e fez o mesmo três meses depois. Aos dezoito anos, tinha um bom pé de meia. Mesmo assim, para a sua ambição, achava pouco.

Experimentou encurtar o tempo de criação. Ganhava menos em cada uma, mas vendia mais. Compensava. De três meses passou para mês e meio; de mês e meio para um mês; de um mês a quinze dias; até que se tornou negociante de gado: Comprava e vendia de imediato. Fornecia talhos e andava de feira em feira. Deixou de trabalhar por conta de outrem, á medida que o negócio cresceu.

Aos vinte anos estava por sua conta e risco. O negócio prosperava. Ganhou muito dinheiro. Não era rico mas vivia sem problemas. Não comprou terras, mas fez uma casa, enorme, com todas as comodidades da época.

A força do dinheiro, transformou a sua simplicidade e humildade em vaidade, arrogância, presunção e egoísmo. Não quis os pais a viver com ele. Por descargo de consciência, responsabilizou-se pelo aluguer de uma pequena casa com condições aceitáveis de habitabilidade. Pagava a renda e contribuía com algum  dinheiro para a sobrevivência dos velhos.

Contavam-se muitas histórias, acerca das suas atitudes incorrectas que lhe mereceram o desprezo de muita gente. Gente, que o ajudou a criar, enquanto viveu das esmolas. De todas a mais impressionante foi a que se passou com o seu principal fornecedor de gado, um criador da aldeia. Tinha muitas terras e vivia bem. Criava vacas, ovelhas e cabras. Toda a criação, para venda, era transaccionada com António. Vivendo os dois na aldeia, tornava-se fácil, cómodo e vantajoso.  Como bom negociante, o António não pagava logo. Uma vez, atrasou-se mais que o habitual e o criador foi a casa pedir-lhe o dinheiro. Este era simples, humilde e educado. O calçado que usava era próprio dos lavradores da época: Tamancos. Bateu á porta de António, e quando este respondeu, pediu licença para entrar!.. A resposta foi surpreendente: - Não. Em minha casa não entram pategos que calçam tamancos. Ah!. Desculpa!. Venho ver se me podes pagar os borregos que levaste no mês passado?. – Balbuciou o criador, com espanto!. – Já estava aqui de lado!. Pega!. – Com um obrigado, o criador afastou-se.

Obviamente o homem não gostou!. Já sabia da soberba do outro, mas nunca pensou ser humilhado, daquela maneira, tendo em conta o relacionamento de “negócio” entre os dois. A vingança, do criador foi simples: - No fornecimento seguinte a este episódio, exigiu o pagamento imediato!. Claro que António não gostou, mas teve que se sujeitar!. O negócio era demasiado bom para o perder.

Com muito dinheiro, António começou a ter muitos “amigos”. Com ostentação pagava “copos” e mais “copos”. Com alguns, de fora da aldeia, até grandes petiscadas fazia. “Amigas” também não faltavam. Eram mais que muitas. Com estas, António era muito fraco. Até dinheiro lhes emprestava. Com uns “favores” e umas choradeiras pelo meio, acabava por lho dar!!!.

Com a idade de 70 anos, António, já não conseguia dinamizar o negócio. Entrou em declínio. Os lucros eram cada vez menores!. O custo, de sustentação da “bela” vida e dos amigos era superior ao rendimento. Em dez anos, estoirou o que tinha conseguido arranjar!!!. Vendeu a casa com tudo o que tinha dentro e fez da furgoneta a sua habitação!. Os amigos afastaram-se. Passavam por ele, fingindo não o ver ou conhecer.

Acabou por vender a furgoneta e foi viver, sem ordem, para o palheiro onde nascera, que entretanto tinha sido comprado pelo criador dos “Tamancos”. Este ao vê-lo lá, numa manhã, aproximou-se e disse-lhe: - Oh! António!. Eu podia correr contigo daqui para fora. Só não o faço porque tenho pena de ti!.. … Autorizo-te a ficares o tempo que quiseres!. – E, fixando os sapatos, velhos, que António tinha nos pés, disse: - Quando acabares de romper os sapatos que tens calçados, terei muito gosto em te oferecer uns tamancos. – Voltou-se e foi-se embora, sem dizer mais nada.

Passado algum tempo, António faleceu: Morreu como nasceu!. Sem nada!!!.

publicado por jcm-pq às 17:44
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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

O Sucesso

Hoje em dia, talvez fruto da sociedade, toda a gente vive apostada em obter bons resultados, fáceis, rápidos e permanentes. Mais simples, no sucesso imediato de qualquer modo e a qualquer preço.

A ambição comedida, programada e objectiva, é salutar e aconselhável. Saber o que se quer e qual o caminho certo para o atingir sem atropelos ou imitações, é óptimo. A boa semente bem semeada dá boa colheita.

Só que, nesta sociedade moderna, o conceito, cultura e métodos utilizados para obter sucesso são perversos. A concorrência entre as pessoas é feroz e desleal. Ou se vence ou se perde. O individualismo e hipocrisia reinam e a solidão aumenta. O desgaste psicológico é grande e o stress avança e instala-se. A frustração progride e o desânimo toma posse. Tudo isto em prol do sucesso.

Sucesso! Sucesso!! Sucesso!!! E a felicidade? E a realização pessoal? E a dignidade? Isto não interessa!?

Será que sucesso é ter:

Um bom estatuto social (Get set), poder, um bom emprego, muitos bens, muito dinheiro, um bom casamento?.

ou,

Fazer o que nos traz felicidade, alegria, paz de espírito e liberdade para fazer o que queremos e não o que, directa ou indirectamente, os outros querem, arriscando a nossa dignidade?.

É nestas interrogações que está a chave do sucesso. Optar, balizar, programar ou objectivar pelo primeiro conjunto ou pelo segundo, é a solução.

A sensatez manda optar pelo segundo, mas cada um é livre!. Não esquecer que o lado oposto do sucesso é o fracasso.

 

Jcm-pq

publicado por jcm-pq às 10:24
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