Domingo, 27 de Julho de 2008

Vaidade não tem idades

Duas senhoras, mãe e filha, idosas, vivem juntas. A mãe, velhinha, com cerca de noventa anos, está entrevada. Faz a sua vida, de dia, numa cadeira de rodas. De vez enquanto, apoiada na sua bengala e com ajuda da filha, com muito custo, lá se endireita e dá uns passinhos. Vê e ouve mal. O ouvido atraiçoa-a. Deturpa-lhe os sons, dificultando por sua vez o seguimento das conversas. Tem, no entanto, apetite e um paladar apurado. Abusa deles, é claro.

Diz a filha e os vizinhos, também, já em idade avançada, que quando nova, foi muito bonita. Agora é uma figura triste, curvada e de cor amarelenta. Usa óculos com lentes muito grossas, de aumento forte, que escondem uns olhos azuis, ainda bem bonitos, mas que vistos através delas, parecem olhos de peixe. O seu nariz, curva em direcção ao queixo aguçado. É uma imagem que condiz com a idade.

A filha, com menos vinte anos, caminha para o mesmo. Ainda tem porte altivo e alguma elegância, mas já se nota curvatura nas costas, dificuldade no andar, falta de vista e ouvido. Á semelhança da mãe, também abusa do paladar apurado. Os seus traços fisionómicos indiciam ter sido uma mulher bonita. Raramente sai á rua, devido ao estado da mãe.

Têm, no entanto, um arsenal de produtos de beleza de fazer inveja: Cremes, loções, blushes, perfumes, batons e vernizes, é o que não faltam. Ambas se servem deles.

A mãe, serve-se do espelho, mas como vê muito mal, de pouco lhe serve. As camadas de creme ou blushes e nódoas de baton são frequentes na cara enrugada. Ainda com uma cabeleira semi-farta, tem cuidados especiais com o penteado: Carrapito (mal feito), cabelo solto e caído, encaracolado (irregular) com rolos manuais são alguns tipos de penteado. São todos feitos por ela. Não larga o pente, a não ser para comer ou tratar da maquilhagem. Por vezes, com a sua mão trémula e enrugada, vê-se a torcer os caracóis com gesto a fazer lembrar a adolescência.

A filha , também se arranja muito bem. Com melhor vista e mais porte cuida-se melhor. Não se vêm nódoas de baton no rosto, mas abusa do blushe, dos cremes e dos vernizes. Arranja o cabelo com frequência, mas mantém o mesmo penteado: Cabelo caído a dar pelos ombros.

Os filhos de uma e netos da outra, pedem-lhes, para não se pintarem tanto. A mais nova, nem responde, ignora e continua a fazer o mesmo. A mais velha irrita-se, revolta-se – O que vocês querem é que não pareça bem!... – Diz ela, quando não amua.

Uma e outra são felizes assim. Sentem-se bem!. Cuidarem da sua imagem, faz parte da sua maneira de ser. Sentirem-se bonitas e cuidadas é viverem melhor!... Serem vaidosas, não é defeito. A vaidade não tem idades.

 

Jcm-pq

publicado por jcm-pq às 15:48
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Animais de Estimação

Não é novidade para ninguém, nos dias de hoje, a existência dos tradicionais animais de estimação, predominantemente, cães e gatos, em grande quantidade. Vemo-los em vivendas e apartamentos. A maioria, sem condições de espaço e higiene. Em bairros de vivendas, é frequente ver, nas ruas, estes animais á solta e á vontade. Sabe-se que não estão abandonados pelo aspecto bem tratado que alguns apresentam. São soltos propositadamente pelos donos, para fazerem as necessidades e ao mesmo tempo usufruírem do espaço que lhes falta, enquanto habitam no canilo ou no pequeno metro quadrado que lhe está atribuído na residência. Os animais de estimação são a alegria de muita gente. Um animal nunca desilude o seu dono, mantém-se sempre fiel e amigo. No entanto, os donos deviam ter em mente três princípios básicos: Abandono, trato e disciplina. Quanto ao abandono, só tenho a dizer que é de uma crueldade tremenda. Quem o faz, são pessoas insensíveis e egoístas que não sabem ou esquecem que os animais também sofrem. Não conheço a existência de legislação relativa estas atitudes, mas acho que devia haver. É condenável tal procedimento.

Relativo aos maus tratos, há mais a dizer. Os maus tratos são diversos. Alguns, são praticados e as pessoas nem se apercebem disso. Para um animal que necessite de espaço para correr, prendê-lo ou restringi-lo a um canil, é maltratar o animal. Podem-lhe proporcionar todas as condições de higiene e alimentação, mas falta-lhe o que lhe é de mais sagrado, a liberdade. O contrário também é verdade. Dar todo o espaço e liberdade a um animal que não necessite dele, é criar-lhe confusão. Um animal confuso, sofre.

Antes de adquirir um animal de estimação, as pessoas deviam analisar e verificar se têm condições para o ter. Se, entenderem que sim, devem escolher um animal que se adapte ás condições que tiverem para lhe oferecer. Se assim procederem, a probabilidade de maus tratos involuntários diminui.

Os maus tratos voluntários, são tão condenáveis como o abandono. E, isto diz tudo.

Por fim, a disciplina. Disciplinar um animal não é fácil, mas é possível. Os donos devem criar hábitos nos seus animais, tendo em vista a boa vivência no meio ambiente em que estão inseridos. Não é agradável, ter um quintal bem tratado, e de repente verificar que é a retrete dos gatos dos vizinhos. Ou, então sair para a rua e andar em zig-zag, afastando-se das “minas” (escremento) deixadas nos passeios pelos cães, bem como inspirar o odor vindo dos muros regados pelos seus fluxos “mijatórios”. Não é menos desagradável, no sossego da noite, acordar sobressaltado e com calafrios pelos uivos dos cães e miar dos gatos. Durante o dia, embora o incómodo seja diferente, também não deixa de ser desagradável, verificar que a nossa zona de habitação, mais parece um canil público quando ouvimos uma série de cães a ladrar sem que haja razão aparente. Tudo isto, podia ser amenizado, se os donos dos animais fizessem um esforço no sentido de os disciplinar com repreensões e condicionamento de liberdade. Em suma, habituar os animais.

 

Para terminar. Animais de estimação? Sim. Mas que não causem perturbação e mau estar na sociedade.!!!

 

Jcm-pq

publicado por jcm-pq às 14:24
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Sina/Orgulho de ser mulher

Hoje, como de costume, vesti uns calções, peguei no carro e fui fazer a minha corridinha na pista de atletismo.

O rádio do carro anda sempre ligado. Como mudo de estação com bastante frequência, por vezes nem sei em qual estou sintonizado. Foi o que aconteceu, hoje. Estava no ar um mini concurso, via telefone. Para o caso também não é importante a estação, porque o formato é quase igual em todas, quando toca à interacção com o exterior, promovendo estes mini concursos, com o objectivo de angariar audiências.

No decorrer da sessão, o locutor no diálogo que travava com uma concorrente, tentando criar um ambiente mais descontraído, estava a fazer uma distinção entre mulheres e homens, com observações do tipo: “vocês mulheres são diferentes dos homens ….”, “com as senhoras temos uma atenção especial”, “com as senhoras temos de ser mais simpáticos …” etc…. A concorrente, muito calmamente e com diplomacia, interveio e disse. – Se considerar que deste lado está uma pessoa, independentemente de ser homem ou mulher, e a tratar como tal, evita-lhe mudanças de comportamento, basta ser simpático, não é preciso mais nada. O locutor ouviu, e disse. – De facto tem toda a razão, mas estes hábitos adquiridos não são fáceis de mudar. Mas deixe que lhe diga, existe muito boa senhora que gosta desta distinção. Dito isto, começou a sessão de perguntas e respostas.

Na verdade as observações do locutor não tinham nada de ofensivo e acredito que o objectivo dele era ser simpático.

 

De facto a cortesia ou simpatia, com que por vezes a sociedade trata as mulheres, são indícios de diferenciação, quando se diz com algum convencimento, que não há desigualdades. E, isto acontece sem que as pessoas se apercebam. No dia a dia podemos observar gestos de carinho, ternura, simpatia e respeito para com as mulheres, que mostram efectivamente a diferenciação, que referi.

 

Vejamos:

 

1 – Quando uma mulher tem filhos, os seus direitos e obrigações de pessoa passam para direitos e obrigações de mãe. Os filhos são a vida e o trabalho delas. Sem darem por isso, auto assumem a situação!.. Não me apercebo, que isto se aplique aos homens.

 

2 – No casal, em que ambos trabalham, a mulher ao chegar a casa, auto assume a responsabilidade de tratar dos filhos, do jantar da casa etc... Normalmente o homem, senta-se no sofá e lê o jornal.

 

3 – É comum, a mulher que trabalha, confrontar-se com observações do tipo: “ estás demasiado ocupada para ter filhos”. Será que algum homem já ouviu isto ou parecido?.

 

4 – As mulheres, habitualmente, quando se cumprimentam nunca ficam sem perguntar: “ Então como estão as crianças?.”. Com os homens não vejo que isto aconteça com muita frequência.

 

5 – Os maridos, quando lhes perguntam pelas esposas, normalmente respondem: “ Está óptima, cheia de trabalho com os filhos. !!!”.

 

Existem mais situações idênticas. Estas cinco, são suficientes para ilustrar que de uma forma inofensiva, existe discriminação entre os homens e as mulheres.

 

Isto é bom ou mau? Não sei responder. Mas creio que esta situação se vai manter eternamente, porque a maior parte das mulheres a aceitam e assumem pacificamente. Jcm-pq

publicado por jcm-pq às 08:45
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