Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Vizinhos

Os vizinhos são as pessoas que, por mero acaso, moram na mesma rua, na casa ao lado separada por um quintal ou até paredes-meias. Os vizinhos são vizinhos, por nada de especial. São vizinhos por coincidência. São estes como podiam ser outros. Na verdade são pessoas estranhas, que na maioria dos casos nada têm a ver umas com as outras. Por isto, na minha perspectiva, este facto, só por si, não é motivo suficiente e capaz de conferir um estatuto especial a estas pessoas.

Mas, há vizinhos e vizinhos. Há vizinhos simpáticos, respeitadores e educados – E são mesmo. Outros pensam que são, querem fazer crer que são, e não são. E outros, não são e assumem que não são. E, obviamente cada grupo comporta-se de forma diferente: - Os primeiros têm um comportamento exemplar e não perturbam ninguém. Os segundos, pelo contrário, têm procedimentos e atitudes, no mínimo, chocantes e bizarras. Os terceiros, têm atitudes idênticas aos segundos, mas não é de admirar. Nestes, últimos, é vulgar a coscuvilhice barata, odiosa com comentários que destilam carradas de inveja:

…..”Oh! aquele lá do fundo já tem um carro novo!!! Rica vida. O dinheiro de alguns dá para tudo!!! Só o meu não dá para nada.” ….”Aqui os do lado, não sei que vida é a deles!!! Ela vai duas vezes por semana ao cabeleireiro, ele anda sempre engravatado, deve ter a mania que é importante!!! Sempre gostava de saber o que fazem!!!” ….”Ali os do meio andam sempre com obras!!! É o arranja e desmancha – Mas quê, o muito dinheiro, faz mal!!!” Etc… etc… etc…

Mas há mais!. Quando não se ficam pelos comentários baratos e tentam imitar-se!. É um assombro. Até faz impressão. É vê-los num frenesim, desenfreado, a fazer compras, trocas, obras e outras coisas mais, que não me lembro. Têm necessidade de dar nas vistas e mostrar que são superiores aos outros.

E não se ficam por aqui!. É de sublinhar o seu comportamento com o animal de estimação, o cão!!!. – Um arranja um caniche o outro, forçosamente, tem de arranjar um cockers ou um lulu, que é mais “finesse”. De manhã, é ver as “madames” passear os cachorros, deixando-os fazer as necessidades em qualquer lado, na maior parte das vezes, à porta dos outros, sem qualquer preocupação de apanhar o respectivo dejecto. – O vizinho que apanhe, se sentir incomodado!!! – Dizem para os seus botões. Não é menos interessante, quando, de noite ou de dia, põem os cachorrinhos à varanda ou à porta de casa, em exposição, a ladrar horas seguidas. Um tolera-se, mas muitos, até dá a impressão que a rua ou bairro é um canil. Mas há ainda os que gostam tanto da cantoria dos caninos, que além do caniche ou cockers arranjam um são bernardo ou semelhante. É preciso, é que seja grande e tenha gorja para fazer de baixo na orquestra.

E, já não vou explorar aqueles que nos dias “sim”, dizem um bom dia todos sorridentes, nos dias “não”, moita carrasco. Nem olham. Como se pode entender este tipo de pessoas.

Este tipo de comportamento e atitudes não são admissíveis entre pessoas que se respeitam. São atitudes incomodativas. Incomodam sobretudo o primeiro grupo de vizinhos, que ficam perplexos. – É isto uma zona de habitação? – Interrogam-se!!!. Daí fazer-me confusão, a prática de alguns actos entre vizinhos do segundo e terceiro grupo: - Dar a chave de casa, para a eventualidade de o homem da EDP contar a luz; convites frequentes para beber café ou tomar um whisky; petiscadas nas tardes do fim de semana – são exemplos. Se não se respeitam!!!. Porquê isto? Sinceramente é um fenómeno que não compreendo. Não somos bichos. Somos pessoas e como tal temos aptidões para nos relacionarmos uns com os outros. De uma relação ténue, que se aconselha no inicio, pode nascer, desenvolver-se e fortalecer-se uma grande amizade. Quando isto acontece, não é por serem vizinhos, tornaram-se amigos. Penso que isto só é possível entre as pessoas do primeiro grupo. E aqui sim, a amizade já é motivo suficiente para a concessão de estatuto especial a um vizinho.

 

Jcm-pq

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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

O Sucesso

Hoje em dia, talvez fruto da sociedade, toda a gente vive apostada em obter bons resultados, fáceis, rápidos e permanentes. Mais simples, no sucesso imediato de qualquer modo e a qualquer preço.

A ambição comedida, programada e objectiva, é salutar e aconselhável. Saber o que se quer e qual o caminho certo para o atingir sem atropelos ou imitações, é óptimo. A boa semente bem semeada dá boa colheita.

Só que, nesta sociedade moderna, o conceito, cultura e métodos utilizados para obter sucesso são perversos. A concorrência entre as pessoas é feroz e desleal. Ou se vence ou se perde. O individualismo e hipocrisia reinam e a solidão aumenta. O desgaste psicológico é grande e o stress avança e instala-se. A frustração progride e o desânimo toma posse. Tudo isto em prol do sucesso.

Sucesso! Sucesso!! Sucesso!!! E a felicidade? E a realização pessoal? E a dignidade? Isto não interessa!?

Será que sucesso é ter:

Um bom estatuto social (Get set), poder, um bom emprego, muitos bens, muito dinheiro, um bom casamento?.

ou,

Fazer o que nos traz felicidade, alegria, paz de espírito e liberdade para fazer o que queremos e não o que, directa ou indirectamente, os outros querem, arriscando a nossa dignidade?.

É nestas interrogações que está a chave do sucesso. Optar, balizar, programar ou objectivar pelo primeiro conjunto ou pelo segundo, é a solução.

A sensatez manda optar pelo segundo, mas cada um é livre!. Não esquecer que o lado oposto do sucesso é o fracasso.

 

Jcm-pq

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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Personalização

Um dia destes, estava a almoçar e tocou o telefone. Atendi. Do outro lado da linha, uma voz feminina, muito suave, perguntou :

 - Posso falar com o Sr. JM?

- É o próprio – Respondi

- Estou-lhe a falar do Hotel XPTO, para lhe comunicar, que foi sorteado com uma semana de férias para duas pessoas, no Algarve, em local à sua escolha …

Não deixei continuar a senhora. Interrompi e disse:

- Agradeço, mas não estou interessado.

Ainda houve alguma insistência da senhora, mas consegui desligar sem brusquidão. Todos sabemos, muito bem, qual a finalidade destes prémios. Como ninguém dá nada a ninguém, o objectivo é vender algo. Mas só cai quem quer!.

 

Lembro-me da correspondência publicitária, que diariamente nos aparece na caixa do correio. Iniciam com: “ Prezado Sr. ……..”, ou “ Caro ……..”, ou com mais intimidade “Amigo ……..”. Em seguida vem o convite para que o “Prezado Sr”, o “Caro”ou “Amigo” troque de carro, passe férias na Tailândia ou Nordeste Brasileiro, compre enciclopédias ou objectos de arte. Isto tudo a preços vantajosos.

Claro que, depois, os preços são tudo, menos vantajosos. Mas também só cai quem quer!.

 

Não me impressiona a lenga lenga utilizada. A essa já estou habituado. Impressiona-me, é a insistência, a repetição e a manutenção destas práticas. Isto não é novo, já tem anos! Mas se mantém é porque resulta, porque alguém adere. E, porque é que aderem? Não tenho a resposta, mas parece-me, que a simpatia da abordagem e tratamento personalizado são a chave.

Quem busca os nomes e títulos e os menciona ao telefone ou escreve em panfletos publicitários, deve presumir que o “Sr.”, o “Caro”, ou o “amigo” se sentirá lisonjeado. - “Quanta gentileza, tratarem-me assim” – O “Sr”, O “Caro” ou o “amigo” de coração amolecido, agradece a gentileza e sente-se disposto (na obrigação) a embarcar.

Esta invasão da privacidade, quer por via telefónica, quer por correio, a oferecer ou vender produtos e serviços não solicitados, é inominável.

 

Isto é massacre. Massacre pessoal !!!.

 

Que contrato ou ética autoriza semelhante violência?

 

Jcm-pq

publicado por jcm-pq às 17:36
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Coisas da Vida!...

ZC e EV são um casal, que, orgulhosamente, fazem parte do meu circulo de grandes amigos. Conhecemo-nos há bastante tempo. Têm dois filhos: O LU e a IN. São uma família feliz e unida!... E, eu sou um privilegiado por os ter, a todos, como amigos!...

O LU, com trinta e dois anos, é casado e tem uma filha com dois anos. Profissionalmente, seguiu a carreira militar. É Capitão no Exército. Vive bem.

IN, tem vinte e nove anos e é uma miúda simpática e alegre. Em casa é do melhor que há. Sabe fazer tudo: Limpar, arrumar e cozinhar são tarefas que desempenha com gosto. Para petiscos, tem dedo!. E eu que o diga!. – Olha o meu colesterol!. – Digo eu. – Os meus petiscos curam qualquer tipo de colesterol!. – Diz ela com um sorriso aberto e cativante. É o orgulho dos pais!. – Damos graças a Deus pela filha que nos deu!. Repetem vezes sem conta. O LU também é uma jóia de rapaz, mas a IN é excepcional!. – Felizmente que ele não tem ciúmes – Diz a mãe. Quanto a beleza, é uma rapariga normalíssima!. - Não sirvo para modelo, mas também não parto espelhos – Diz ela com graça. Diz, ainda, que não tem físico de partir corações!... Pois!. Mas eu sei que um ingrato, amachucou bem o dela.

De facto, embora, desde Há dois anos para cá, tenha recuperado a alegria e felicidade, os quatro anos anteriores, foram negros!. Digo isto pelo que me foi permitido acompanhar e pelo que os pais me contaram.

Dentro da linha e espírito que me leva a escrever textos, vou tentar descrever, tal qual conheço a saga de quatro anos da vida de IN!. Ela sabe e diz que está ansiosa por ler!.

 

Então cá vai:

 

Com dezoito anos oficializou um namoro que na, realidade, já durava à cerca de um ano. Não era segredo para ninguém e muito menos para os pais. Uma das grandes qualidades de IN, é que nunca escondeu nada deles. Por opção, preferiu manter a relação como de amizade enquanto não atingiu a maior idade. – Só direi que namoro, quando puder votar. – Dizia a sorrir.

JO – o namorado – era um rapaz, alto, bem parecido e educado!. Era conversador e tinha ideias próprias bem formadas. Era agradável falar com ele!. Conversamos muito sobre assuntos militares. E, quando o LU estava presente, então a conversa prolongava-se!. Ninguém mais tinha licença para falar!. As mulheres fugiam do pé de nós!. Não fez tropa, mas interessava-se pelo assunto!. Porquê nunca soube. Eu dava corda, porque gostava de falar daquilo e o LU como militar profissional, obviamente participava activamente. Outros assuntos relacionados com uma diversidade de temas, nomeadamente: sociedade, mundo, convulsões politicas, economia, etc…, eram uma constante, nas muitas vezes que nos encontramos na casa dos meus amigos. Todos gostávamos dele!. – A IN merece!. – Comentávamos com alguma frequência!.

O namoro, durante cinco anos, foi normalíssimo. Desenrolou-se dentro dos parâmetros da época. Com algumas restrições – poucas – no inicio, mas depois foi à vontade. Saiam quando queriam, iam para onde lhes apetecia, faziam longos passeios pela Europa, gozavam férias sós ou acompanhados. Enfim, fizeram tudo o que os jovens da idade deles fazia. IN, entregou-se de alma e coração!.

Com vinte e um anos, IN terminou o Curso de Contabilista e inscreveu-se como Técnica de Contas. Com, relativa, facilidade conseguiu trabalho num Gabinete de Contabilidade. Entretanto, JO continuou os estudos em Psicologia Clínica. O casamento estava previsto para quando este terminasse.

Tudo estava a decorrer como o previsto. JO estava a finalizar com boa média e IN já se imaginava vestida de noiva. Andava radiante!... Mas, contra ao que toda a gente esperava, inclusive eu, as previsões não se concretizaram. O namoro de IN estoirou!... Foi um golpe rude para todos!... Obviamente, quem mais sofreu, foi ela!... Mas os pais também tiveram a sua dose!... A mim também me custou bastante!...

Na viagem de finalistas a Cuba, JO envolveu-se com uma colega. Já durante o curso esta o atazanava, mas JO resistiu às investidas. Longe de IN não teve força!. Pensou que depois de uma aventura ela o deixasse em paz!. Enganou-se!. Ainda ficou pior!. Telefonemas e SMS´s eram uma constante. Pior era quando lhe aparecia de surpresa em locais inesperados e a horas pouco convenientes!. Dava-se ao desplante de arranjar programas e lhos apresentar como facto consumado. Para levar a sua avante, chantageava!.. Estupidamente, JO deixou-se levar!. E, tantas vezes o cântaro foi à fonte até que …… a colega engravidou!. Aqui foi o fim!...

As desculpas que dava a IN, para as escapadelas, eram convincentes. A tónica era sempre profissional: Entrevistas e seminários eram o forte!... Ainda houve quem tentasse alertar IN, mas esta tinha tanta confiança nele que não ligou. Achou que era uma mistura de inveja e brincadeira de mau gosto!. Não quis acreditar!.

Quando JO lhe disse e tentou justificar o que não tinha justificação, IN passou-se!. Quando entendeu a situação, nem quis ouvir mais!.... Atirou-se a ele.

- Não sabemos onde é que ela arranjou tanta força. Ele ficou bem aviado!. As marcas na cara e no pescoço eram bem demonstrativas. Ele nem reagiu, limitou-se a fugir assim que conseguiu libertar-se dela!. Grande coça que ela lhe deu!...

- Contaram-me os pais.

Como era de esperar, IN entrou em estado de choque!. Fechou-se no quarto!... Chorou!... Desprendeu-se de tudo e de todos!... Não queria falar com ninguém!... Enfim, entrou num estado depressivo tão grande que esteve cerca de seis meses de baixa!... No primeiro mês só a mãe falou com ela!...

Quando os visitava e sabendo que ela gostava de falar comigo, os pais avisavam-na da minha presença. No princípio ignorava. Só passado algum tempo é que começou a aparecer!... Eu, numa tentativa de ajudar, lá lhe ia dizendo frases feitas, já por demais conhecidas e a cair de caruncho!... A maior parte das vezes olhava, sorria e nem respondia!... Consegui algum dialogo, quando sentiu que o que lhe dizia era realmente o que eu sentia!. O que era dito do coração!... Mesmo sem me dizer eu percebia quando discordava!. Eu tentava por outro lado!... Até lhe sugeri consultar um psicólogo. Negou com aceno de cabeça!. Não foi fácil lidar com a situação mas não desisti!... Ainda me recordo de uma resposta num desses diálogos.

– Como se sentiria se tivesse a sensação de que lhe roubaram todo o sentimento!... Até há pouco tempo eu só odiava!... Odiava as pessoas, as coisas, a minha vida!... Odiava tudo!... Odiava-me a mim própria!...

- Chocou-me!... Nem retorqui.

A pouco e pouco o estado critico foi passando!... Um dia, reportando-se ao inicio da situação, pediu desculpa ao pai ao irmão e à cunhada pelas atitudes que tomou!... Fez o mesmo em relação a mim!. – Não necessitavas fazê-lo. O que é preciso é que saias dessa “fossa” e tu tens força para isso!... – Respondi-lhe – Sim. Eu sei. Já arranjei e comecei um tratamento que vai resultar, vai ver!. - Respondeu, com o indicador direito colado à têmpora. – Ah! Sim!.. E posso saber que tipo de tratamento é? – É muito simples! Meditar nesta frase “Existem sempre um ou vários caminhos certos, mas às vezes necessitamos de nos separar um pouco da berma e alçar a vista para poder vê-los”. Hei-de encontrar o meu!. Li-a num livro que estou a ler “A Inutilidade do Sofrimento”!. - Esclareceu IN!. - Deus te oiça, rapariga!. – Disse eu!... Os pais encolheram os ombros!...

A recuperação foi lenta. Passados dois anos ou mais era frequente, nos convívios que fazíamos, passar do estado, mais ou menos alegre, para um estado melancólico!... Às vezes lá vinham umas lágrimas!... Levantava-se, ia à casa de banho e voltava!... Mas, naquele dia já não era a mesma!... Ela sofria!... Sofria muito!... Escondia o máximo que podia!... Mas, por vezes não conseguia!...

A mãe, ainda a incitou a sair e procurar o convívio de colegas. – O convívio faz-te bem!. Lá por ter acontecido o que aconteceu não quer dizer que seja sempre assim!.. Os homens não são todos iguais!... Esconderes-te em casa é o pior que podes fazer ……! – Só de ouvir isso fico arrepiada!. – Respondeu IN, desencorajando a mãe a continuar.

Não me recordo que alguma vez se tenha falado do JO, que entretanto, como era de esperar, casou. Casamento que durou pouco. Ao fim de três anos e com um rapaz, divorciou-se. Ninguém disse nada a IN porque em dada altura deixou bem claro que não queria falar ou ouvir falar em tal pessoa.

Mas, passado algum tempo do divorcio ter decorrido, JO tentou contactar IN: Primeiro pelo telemóvel. IN não conhecia o número. Quando se apercebeu de que era ele, desligou e nunca mais atendeu tal número; Ainda tentou com outro número e o resultado foi igual; Tentou no local de trabalho. IN não lhe deu troco, ignorou-o simplesmente!... Sabendo como ele era, IN suspeitou que a próxima tentativa fosse na residência. Pelo sim, pelo não, alertou os pais para essa possibilidade e dissuadi-os de correr com ele. Pelo contrário, disse-lhes para o mandarem entrar, que ela trataria dele a seguir. E de facto não se enganou. Não tardou muito o JO bateu-lhe à porta!. Cordialmente, os pais fizeram como ela disse. Chamaram-na e ficaram por perto. Ele queria falar em privado, mas ela não quis!... O dialogo não durou mais de dois minutos. IN disse-lhe tudo o que sentia e correu com ele. Remédio santo. JO saiu, cabisbaixo e não apareceu mais!. Nem IN nem os pais me contaram o que foi dito!... Mas imagino que deve ter sido muito dura!...

Há cerca de um ano, um colega do LU – o AM - aleijou-se num exercício físico e baixou ao Hospital Militar. Foi operado a um joelho e ficou três meses em convalescença. Era de Trás os Montes e não tinha familiares em Lisboa. Intencionalmente ou não, LU pediu à irmã que lhe fizesse uma visita e lhe desse alguma assistência. IN assim fez. Não lhe custou muito, até porque se lembrava dele das poucas visitas que fez ao quartel. Era simpático, alegre, educado e muito bem formado. Era de um humanismo de todo o tamanho. – Oh! IN não te incomodes comigo! Há coisas mais interessantes para fazer do que aturares este “chato”!. O teu irmão é que te meteu nisto!. Ele é que é o culpado!... – Repetia AM com frequência. IN não lhe dava ouvidos!. Começou com uma visita semanal, passou a duas e por fim todos dias. O que começou a fazer por dever cívico acabou por fazê-lo por gosto. Foi tão bom que quando AM teve alta, estavam noivos!.

Hoje estão de casamento marcado e IN é a mesma miúda alegre e extrovertida que era antes do incidente!...

Diz o povo, com alguma verdade, que o tempo cura todas as feridas!... Mas, em minha opinião, há certas feridas que só nós próprios é que as podemos curar!... No caso de IN, ela é que se curou a si própria!... Não necessitou de psicólogos ou afins!... A ajuda da família e dos amigos, onde me incluo, foi importante, mas é a ela própria que deve tudo!. O auto-tratamento, resultou!... Ainda bem!...

Força IN!. Grande mulher que tu és!..

 

Jcm-pq

publicado por jcm-pq às 14:10
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