Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Regresso

Olá a todos!

No final de mês de Maio, completei os trabalhos de Revisão de Contas das empresas que acompanho e no mês de Junho as férias na Universidade.
No primeiro caso, só a partir de Dezembro é que começa outra vez o sarilho!. No segundo já estou descansado: Com as férias terminou o meu compromisso com a faculdade. Foi, este, o último ano que dei aulas!.
Em suma!. Estou mais liberto e como tal, com mais tempo para me dedicar aos blogs. Mesmo que não seja com a assiduidade que desejo, vou fazer um esforço!
Confesso que tive saudades das bonitas e belas crónicas da Cuidandodemim; dos formidáveis poemas da Luísa; do roteiro turístico e sabores (gostosos) da Moira; dos belos textos da Magnólia; dos bonitos quadros e fotos bem como dos textos alusivos da Azuldocéu e Tibéu.
Pela olhada rápida que dei, parece-me que todas estão activas e de plena saúde. Cumprimento todas com um grande beijinho e abraço forte!
E, cá estou de novo, para reiniciar o dialogo bloguista de que tanto gostei!.

 

Jcm-pq
 

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Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Interregno

Criei o meu blog em Março de 2008 e publiquei o primeiro texto em 27 do mesmo mês. Devido à minha actividade profissional, tenho consciência, que não me dediquei ao blog como queria e desejava! Mesmo assim, consegui integrar-me num grupo de amigos que me encheram de satisfação e alegria com os seus textos, pensamentos e comentários! Obrigado a todos.

Entendo, que um texto ou um pensamento é um desabafo do que sentimos e pensamos e consequentemente um comentário a esse texto ou pensamento é um conselho, uma orientação ou um ajuda que pode alterar complementar uma opinião ou procedimento. Sendo assim, fazer um comentário tem a sua responsabilidade! Fazer algo com responsabilidade, requer tempo e dedicação e é isso que não tenho! Sinto que não tenho tempo, disponível, para me dedicar ao blog como queria e como os meus amigos merecem! Tenho feito um grande esforço mas sinto que não posso continuar.

Neste sentido, decidi fazer um interregno.

Pretendo com este texto dar a conhecer e justificar a minha ausência aos meus amigos pela consideração e respeito que me merecem!

Despeço-me com um até breve! Pelo menos, assim o espero!

 

Jcm-pq

 

Nota: Para, eventual contacto, se necessário, o meu mail está disponível no blog.

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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

Natal e marketing

 “ O Natal é quando o homem quiser”. Na verdade assim é. Fazer bem sem olhar a quem, qualquer altura é boa, bem vista, bem aceite e digna de realce. A humanidade reconhece e agradece.

O Natal, visto como época, efeméride, festa, aniversário ou algo mais que desconheço, é fruto de uma velha tradição católica, de há dois mil anos para cá. A sua forma e notoriedade têm sofrido algumas metamorfoses ao longo do tempo. Antes era visto, puramente, como época de índole religiosa; hoje de índole religiosa e comercial. Parece absurdo e blasfémico misturar as duas índoles.

Pensando bem, acho que não.

O ambiente envolvente criado pelo marketing é impressionante. Milhões de lâmpadas a piscar ou constantes em iluminações públicas ou privadas, com configuração de estrelas, árvores, presépios, renas, colunas ou arcos, é espectacular. A música nas ruas, avenidas, lojas e centros comerciais, alusiva á época, entra nos ouvidos com uma doçura, tão grande, que quebra qualquer coração, por mais duro que seja. Este marketing, consegue criar um ambiente de amor, de ternura e tolerância. Com amor e ternura, as pessoas aproximam-se. A troca de prendas é a prova disso. As mensagens de Natal, por qualquer via de comunicação, têm um sabor diferente do que se fossem recebidas fora desta época. As palavras ou frases podiam ser as mesmas, mas não entoariam da mesma forma. Não há dúvida, cada coisa na sua época.

Ao contrário do que muita gente pensa, o marketing desenvolvido, á volta do Natal, não prejudica em nada o seu significado religioso. Antes, reforça-o. Há mais solidariedade com os pobres e sem abrigo, oferecendo-lhe uma refeição, decente, na noite de Natal. Os lares de idosos, hospitais, prisões e outras instituições de caridade, ou não, fazem a sua festa de Natal. Ninguém fica de fora. Ninguém é esquecido.

Se o Natal fosse só quando o homem quisesse, pode ser que fosse sempre, pouca vez, nunca ou se limitasse á consoada em família. Assim, há a garantia de que pelo menos uma vez por ano, há Natal para todos. Neste caso as índoles comercial e religiosa combinadas, resultam bem. O resultado desta combinação é o que de mais sublime se pode encontrar: Amor e solidariedade entre as pessoas. E, isto é NATAL .

 

Jcm-pq

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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Contos moralistas

Na sociedade actual, cada vez se assiste mais a atropelos e concorrência desleal entre as pessoas. É quase uma selva ou um salve-se quem puder. Sabemos que está mal, ou pelo menos toda a gente diz que sim com a cabeça, mas a culpa nunca é nossa, é sempre dos outros.

Sabemos que temos uma missão. Toda a gente tem uma missão, mas será que nos preparamos, convenientemente, para a cumprir?. Se calhar, não!!! E, não será esta a causa dos males e defeitos que vemos na sociedade?

Há muito tempo contaram-me um conto. Na altura não o percebi, nem vi qualquer moral a tirar dele. Achei que era mais uma história da carochinha. Hoje, vejo e sinto que esse conto “antigo” permanece muito actual.

 

Vou dar o meu melhor na sua reprodução!.

 

Os Aguadeiros do Rei

 

Num reino muito distante, o Rei mandou construir o seu Castelo no ponte mais alto e inacessível do território. A localização era óptima, quanto a defesa e segurança, mas não tinha água. No planalto que circundava o morro onde fora construído o Castelo, havia duas nascentes. Uma do lado Norte a outra do lado Sul. O acesso a ambas era muito difícil.

Para abastecer o castelo de água, o rei contratou dois aguadeiros. Um para cada nascente. Um era alto, forte, bem constituído fisicamente, dextro e muito perspicaz. O outro, era em tudo, inferior. O que mostrava melhores atributos e qualidades ficou com a nascente Norte e obviamente o outro com a do lado Sul.

A tarefa de cada um, era encher o reservatório que lhe competia. Logo que estivesse cheio, podia parar e não fazer mais nada. A sua missão, diária, estava cumprida.

O aguadeiro perspicaz, preparou o acesso á nascente, de forma a permitir-lhe ligeireza, para que mais rapidamente enchesse o reservatório que lhe competia e ficar assim, com tempo livre para passear e descansar. Então optou por fazer atalhos, com alguma inclinação e com degraus mais altos que o normal. Num ápice concluiu a obra. O acesso, embora melhorado, estava longe de se considerar bom. Isso não preocupou o aguadeiro, porque era forte e fazia o percurso com facilidade. Em meio dia enchia o seu reservatório. O resto do dia passava-o a dormir ou a dar conversa aos guardas do Castelo.

O outro aguadeiro, também preparou o acesso, á sua nascente, de forma a permitir-lhe ligeireza e condições para cumprir a sua missão. Como era mais fraco fisicamente, escolheu inclinações menos acentuadas, fez degraus simples e normais e foi mais longe. Ao longo do percurso criou zonas de descanso, onde plantou árvores, flores, e, fez um banco, grosseiro, em cada uma, para se poder sentar. Demorou mais tempo que o outro, mas ficou óptimo. Criou um acesso mais longo, mas mais fácil. Plantou árvores e flores que tinha de regar. Como tinha zonas de descanso, quando passava nelas, descansava. Levava o dia inteiro para encher o reservatório que lhe competia.

Ao fim do dia quando se encontravam nos aposentes, o primeiro ria. – Durante a tarde não fiz nada, estive aqui de papo para o ar – Dizia com ar de gozo – E o rei até me elogiou por ter sido tão rápido – Acrescentava. – Ainda bem – Era a resposta do outro.

Passado algum tempo o aguadeiro da nascente Norte, começou a ter dificuldades em encher o reservatório, no meio dia de que ele tanto se gabava. Gradualmente o tempo foi aumentando, até que em dada altura, acabava de encher ao mesmo tempo que o outro. Por vezes, quando chegava aos aposentes o companheiro já lá estava. Chegava tão cansado, que dava pena. Deitava-se sem dizer uma palavra.

O aguadeiro da nascente Sul mantinha o mesmo ritmo e não se notava qualquer alteração na sua conduta. Continuava a cumprir a sua missão com eficiência.

Aconteceu, que o Rei farto de estar limitado ás muralhas do castelo, resolveu fazer uns passeios. Escolheu os caminhos dos aguadeiros, e alternadamente ia ás duas nascentes. Quando ia á nascente Norte, a Rainha queixava-se do mau humor do Rei e comentava o seu visível cansaço. Quando ia á nascente Sul o efeito era exactamente o contrário. O rei chegava de bom humor e fresquinho que nem uma alface.

Algum tempo depois, o aguadeiro da nascente Norte adoeceu e teve de ser substituído. Faleceu passado algum tempo. O motivo da morte foi o terrível cansaço que dele se apoderou. O da nascente Sul, continuou ao serviço e a cumprir a sua missão, por longos e longos anos.

O Rei continuou a fazer os seus passeios, mas só à nascente Sul.

 

Moral da história. Cada um tire a que entender!!!.

 

Jcm-pq

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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Pára-quedismo

Sou um entusiasta do pára-quedismo. Tudo quanto se relaciona com este tema, desperta-me o interesse. Não tivesse, eu, sido pára-quedista militar! É verdade! O bichinho ficou cá dentro.

Um dia destes, estava com um amigo, prostrado, em frente á Televisão, para assistirmos a um desafio de futebol. Antes do desafio começar, o programa de recepção no estádio, contemplava saltos em pára-quedas. Saltos de queda livre. Enquanto assistia, perguntei ao meu amigo. – Sabes que idade tem o pára-quedismo? – Não sei. Palpita-me que a mesma que a aviação. – Respondeu. – Estás enganado, é bem mais recente. Tal como o conhecemos, remonta ao final dos anos 30.

Bem! Não admira as pessoas não saberem. São curiosidades que só despertam interesse a alguém como eu, apreciador da modalidade.

Ver o pára-quedismo de hoje e compará-lo com o dos primórdios, a diferença é abissal. A modernização dos equipamentos (pára-quedas) e das próprias aeronaves, contribuíram para a sua evolução e desenvolvimento. O aparecimento dos denominados “desportos radicais” também foi uma ajuda, pelo menos, para diversificar a modalidade.

No inicio, os pára-quedas eram enormes. Só a calote, de tecido de seda, tinha a dimensão de quarenta metros quadrados. Insuflado e vista no ar, não parecia. Não eram fáceis de manobrar. Deslizavam ao sabor do vento. Para facilitar a aterragem, o pára-quedista puxava os cordões do lado do vento, por forma a criar uma aba na calote, que funcionava como corta vento. Isto permitia mais suavidade nas aterragens. Um marco importante na evolução do pára-quedismo, foi o aparecimento da queda livre. Nos saltos em queda livre, o pára-quedista é que tem de accionar o mecanismo de abertura, quando achar oportuno e seguro. Normalmente, é entre os quatrocentos e os oitocentos metros, independentemente da altura da saído do avião. Os saltos automáticos, são efectuados entre os quatrocentos e os seiscentos metros ,e, o mecanismo de abertura é accionado por uma tira extractora que fica presa na aeronave. Quando o pára-quedas está completamento fora do saco e totalmente esticado, rebenta, por tracção, o fio que liga o pára-quedas á tira extractora, e o pára-quedas, abre.

Os pára-quedas de queda livre eram bastante diferentes dos outros. Tinham fendas, ligadas a cordões, que o pára-quedista manobrava para contrariar o vento. Esta potencialidade permitia obter bons resultados em saltos de precisão.

Hoje em dia, tanto os pára-quedas como os saltos, não têm muito a ver com os de antigamente.

Os pára-quedas, de queda livre, de hoje (parapentas), são autênticas asas que conseguem voar contra o vento. Por isto, consegue-se maior precisão nos saltos e aterragens sempre em pé. São facilmente manobráveis e o mecanismo de abertura foi melhorado, tornando-se mais seguro. Foi-lhe associado um computador, que provoca a abertura á altura predeterminada, se o pára-quedista não o fizer antes.

Tenho de referir o “win surf”. Há vinte anos atrás, se alguém falasse nisto, chamavam-lhe doido e se o tentasse fazer, passava de doido a maluco varrido. Não sei quando é que o primeiro aventureiro o fez. Mas, voar em cima de uma prancha deve ser uma das maravilhas do mundo. Temos assistido a belas imagens, quando os festivais são transmitidos por televisão.

Não posso esquecer a possibilidade que foi dada a toda a gente. Qualquer pessoa, deficiente ou não e dos oito aos oitenta anos, pode saltar em pára-quedas. Pendura de pára-quedista experiente, é certo, mas não deixa de ser um salto em pára-quedas. A sensação e emoção é igual. O testemunho de quem já o fez, é positivo.

Desta breve descrição, vejo o quanto o pára-quedismo evoluiu. Já no meu tempo considerava uma grande evolução em relação ao inicio. Mas, desde aqui até agora, embora o período de tempo, seja sensivelmente o mesmo, a evolução é enorme.

Com certeza que não vai parar. Como será daqui a trinta anos!!!?. Veremos

 

Jcm-pq

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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Ser simples ...

Hoje, as queixas do dia, salvo raras excepções, são: A vida está difícil, a vida é um martírio, a vida é uma tragédia, viver assim é complicado, enfim, é só desgraça, não há nada de bom, ou se há, é ignorado.

Curiosamente, estas queixas não partem daqueles, para quem a vida nunca foi boa. Os queixosos, na maioria, são os privilegiados.

De facto a vida não é fácil todos os dias. Há dias melhores, dias piores e dias assim assim. Mas, há pessoas, que á mínima contrariedade, por mais simples e leve que seja, soltam o seu pessimismo, clamando, drama e a tragédia, por antecipação. A isto chama-se complicar a vida. Complicam a sua e a de quem com eles coabita ou lida, provocando, infelicidade, desânimo, e por vezes, desespero. Os que assim procedem, parece-me quererem mais do que aquilo que a vida lhes pode dar, ou a que têm direito, desvalorizando, ou não dando valor, ao que realmente têm. Querem mais e mais, e por mais que tenham, nunca estão satisfeitos. Há sempre algo melhor. São pessoas, ambiciosas, presunçosas, egoístas, preconceituosas que se julgam superiores a tudo e a todos. Abreviando, são pessoas complicadas e complicativas.

Penso que estas pessoas seriam mais felizes, se fossem modestas, moderadas e sensatas, em suma, simples. Se assim fosse, não havia queixas daquela natureza.

Para ser simples não é preciso ser ou tornar-se pobre. As pessoas podem ser simples de várias maneiras, independentemente, a sua situação social, intelectual, profissional ou outra. Cada um pode e deve tirar partido de tudo o que a vida lhe dá, tendo sempre em conta uma fasquia de conduta, comportamento, entendimento, tolerância e sentimento pelos outros.

Ser simples, é ser positivo, tolerante, ter um sentido construtivo e solidário para com os outros, e, acima de tudo, valorizar e viver melhor com aquilo que se tem. Ser simples é simplificar a vida ou, pelo menos, não complicá-la.

Em última análise. Ser simples é ser humano, tolerante, educado, generoso e solidário.

 

Conclusão: Complicar a vida é fácil. Descomplicar é difícil. Portanto, é melhor ser simples.

 

Vamos ser simples.

 

Jcm-pq

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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Faina da azeitona

Nestas duas semanas anteriores, estive ocupado na faina da azeitona. Uma tarefa que já há muito tempo não participava nem via . Antes de iniciar o serviço militar participei em pleno! E, já lá vão quarenta anos! A actividade profissional também não mo tem permitido! Este ano foi o primeiro em que tive disponibilidade para tal!.

Recordei o passado!. Recordei os grandes ranchos (camarada) de homens e mulheres, normalmente casais, que se dedicavam em grupo à tarefa. Eram contratados por proprietários, com grandes olivais, em regime de empreitada ou à jorna. Para os proprietários era a maior fonte de rendimento ao longo do ano. Consequentemente, também, era a tarefa mais bem paga. Era bom para todos.

Os grupos, normalmente constituídos por quinze a vinte elementos, desenvolviam a tarefa de forma organizada. O capataz, responsável pelo grupo, coordenava as acções. Os homens munidos de escadas móveis subiam às oliveiras e ripavam a azeitona que caía em mantas, previamente estendidas pelas mulheres. Logo que terminavam numa oliveira mudavam para outra e assim sucessivamente!. As mulheres além de mudarem e estenderem as mantas apanhavam do chão as azeitonas que por diversas razões não ficavam nas mantas. Os grupos eram alegres. Quando o dia estava a correr bem, cantavam canções populares alusivas à tarefa. Recordo a mais popular: O “sol e dó” - Não te rias de quem chora, ai solidão, solidão! Que a Virgem também chorou, ai, ai, ai, ai…… - Assim dizia a letra!

 

Hoje é diferente. Os grandes proprietários acabaram, após a Revolução de 25 de Abril, em consequência da Reforma Agrária. O regime de pequena propriedade não justifica a formação dos ranchos à semelhança de outrora. Cada família colhe a sua. Quanto muito formam-se grupos tipicamente familiares (irmãos, filhos, primos …) que fazem uma camaradagem agradável. Foi o meu caso. Fizemos um grupo de seis elementos. Bem perto, uma família mais numerosa, formou um bonito rancho de dez. Estes, em dada altura ainda deram um ar de graça ao canto do “sol e dó”. A maior parte não sabia a letra! Mesmo assim gostei de ouvir!

 

E foi assim. Duas semanas numa tarefa que me deixou as mãos em mísero estado, mas que me trouxe muitas, muitas saudades!...

 

Jcm-pq

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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Vizinhos

Os vizinhos são as pessoas que, por mero acaso, moram na mesma rua, na casa ao lado separada por um quintal ou até paredes-meias. Os vizinhos são vizinhos, por nada de especial. São vizinhos por coincidência. São estes como podiam ser outros. Na verdade são pessoas estranhas, que na maioria dos casos nada têm a ver umas com as outras. Por isto, na minha perspectiva, este facto, só por si, não é motivo suficiente e capaz de conferir um estatuto especial a estas pessoas.

Mas, há vizinhos e vizinhos. Há vizinhos simpáticos, respeitadores e educados – E são mesmo. Outros pensam que são, querem fazer crer que são, e não são. E outros, não são e assumem que não são. E, obviamente cada grupo comporta-se de forma diferente: - Os primeiros têm um comportamento exemplar e não perturbam ninguém. Os segundos, pelo contrário, têm procedimentos e atitudes, no mínimo, chocantes e bizarras. Os terceiros, têm atitudes idênticas aos segundos, mas não é de admirar. Nestes, últimos, é vulgar a coscuvilhice barata, odiosa com comentários que destilam carradas de inveja:

…..”Oh! aquele lá do fundo já tem um carro novo!!! Rica vida. O dinheiro de alguns dá para tudo!!! Só o meu não dá para nada.” ….”Aqui os do lado, não sei que vida é a deles!!! Ela vai duas vezes por semana ao cabeleireiro, ele anda sempre engravatado, deve ter a mania que é importante!!! Sempre gostava de saber o que fazem!!!” ….”Ali os do meio andam sempre com obras!!! É o arranja e desmancha – Mas quê, o muito dinheiro, faz mal!!!” Etc… etc… etc…

Mas há mais!. Quando não se ficam pelos comentários baratos e tentam imitar-se!. É um assombro. Até faz impressão. É vê-los num frenesim, desenfreado, a fazer compras, trocas, obras e outras coisas mais, que não me lembro. Têm necessidade de dar nas vistas e mostrar que são superiores aos outros.

E não se ficam por aqui!. É de sublinhar o seu comportamento com o animal de estimação, o cão!!!. – Um arranja um caniche o outro, forçosamente, tem de arranjar um cockers ou um lulu, que é mais “finesse”. De manhã, é ver as “madames” passear os cachorros, deixando-os fazer as necessidades em qualquer lado, na maior parte das vezes, à porta dos outros, sem qualquer preocupação de apanhar o respectivo dejecto. – O vizinho que apanhe, se sentir incomodado!!! – Dizem para os seus botões. Não é menos interessante, quando, de noite ou de dia, põem os cachorrinhos à varanda ou à porta de casa, em exposição, a ladrar horas seguidas. Um tolera-se, mas muitos, até dá a impressão que a rua ou bairro é um canil. Mas há ainda os que gostam tanto da cantoria dos caninos, que além do caniche ou cockers arranjam um são bernardo ou semelhante. É preciso, é que seja grande e tenha gorja para fazer de baixo na orquestra.

E, já não vou explorar aqueles que nos dias “sim”, dizem um bom dia todos sorridentes, nos dias “não”, moita carrasco. Nem olham. Como se pode entender este tipo de pessoas.

Este tipo de comportamento e atitudes não são admissíveis entre pessoas que se respeitam. São atitudes incomodativas. Incomodam sobretudo o primeiro grupo de vizinhos, que ficam perplexos. – É isto uma zona de habitação? – Interrogam-se!!!. Daí fazer-me confusão, a prática de alguns actos entre vizinhos do segundo e terceiro grupo: - Dar a chave de casa, para a eventualidade de o homem da EDP contar a luz; convites frequentes para beber café ou tomar um whisky; petiscadas nas tardes do fim de semana – são exemplos. Se não se respeitam!!!. Porquê isto? Sinceramente é um fenómeno que não compreendo. Não somos bichos. Somos pessoas e como tal temos aptidões para nos relacionarmos uns com os outros. De uma relação ténue, que se aconselha no inicio, pode nascer, desenvolver-se e fortalecer-se uma grande amizade. Quando isto acontece, não é por serem vizinhos, tornaram-se amigos. Penso que isto só é possível entre as pessoas do primeiro grupo. E aqui sim, a amizade já é motivo suficiente para a concessão de estatuto especial a um vizinho.

 

Jcm-pq

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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

O Sucesso

Hoje em dia, talvez fruto da sociedade, toda a gente vive apostada em obter bons resultados, fáceis, rápidos e permanentes. Mais simples, no sucesso imediato de qualquer modo e a qualquer preço.

A ambição comedida, programada e objectiva, é salutar e aconselhável. Saber o que se quer e qual o caminho certo para o atingir sem atropelos ou imitações, é óptimo. A boa semente bem semeada dá boa colheita.

Só que, nesta sociedade moderna, o conceito, cultura e métodos utilizados para obter sucesso são perversos. A concorrência entre as pessoas é feroz e desleal. Ou se vence ou se perde. O individualismo e hipocrisia reinam e a solidão aumenta. O desgaste psicológico é grande e o stress avança e instala-se. A frustração progride e o desânimo toma posse. Tudo isto em prol do sucesso.

Sucesso! Sucesso!! Sucesso!!! E a felicidade? E a realização pessoal? E a dignidade? Isto não interessa!?

Será que sucesso é ter:

Um bom estatuto social (Get set), poder, um bom emprego, muitos bens, muito dinheiro, um bom casamento?.

ou,

Fazer o que nos traz felicidade, alegria, paz de espírito e liberdade para fazer o que queremos e não o que, directa ou indirectamente, os outros querem, arriscando a nossa dignidade?.

É nestas interrogações que está a chave do sucesso. Optar, balizar, programar ou objectivar pelo primeiro conjunto ou pelo segundo, é a solução.

A sensatez manda optar pelo segundo, mas cada um é livre!. Não esquecer que o lado oposto do sucesso é o fracasso.

 

Jcm-pq

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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Personalização

Um dia destes, estava a almoçar e tocou o telefone. Atendi. Do outro lado da linha, uma voz feminina, muito suave, perguntou :

 - Posso falar com o Sr. JM?

- É o próprio – Respondi

- Estou-lhe a falar do Hotel XPTO, para lhe comunicar, que foi sorteado com uma semana de férias para duas pessoas, no Algarve, em local à sua escolha …

Não deixei continuar a senhora. Interrompi e disse:

- Agradeço, mas não estou interessado.

Ainda houve alguma insistência da senhora, mas consegui desligar sem brusquidão. Todos sabemos, muito bem, qual a finalidade destes prémios. Como ninguém dá nada a ninguém, o objectivo é vender algo. Mas só cai quem quer!.

 

Lembro-me da correspondência publicitária, que diariamente nos aparece na caixa do correio. Iniciam com: “ Prezado Sr. ……..”, ou “ Caro ……..”, ou com mais intimidade “Amigo ……..”. Em seguida vem o convite para que o “Prezado Sr”, o “Caro”ou “Amigo” troque de carro, passe férias na Tailândia ou Nordeste Brasileiro, compre enciclopédias ou objectos de arte. Isto tudo a preços vantajosos.

Claro que, depois, os preços são tudo, menos vantajosos. Mas também só cai quem quer!.

 

Não me impressiona a lenga lenga utilizada. A essa já estou habituado. Impressiona-me, é a insistência, a repetição e a manutenção destas práticas. Isto não é novo, já tem anos! Mas se mantém é porque resulta, porque alguém adere. E, porque é que aderem? Não tenho a resposta, mas parece-me, que a simpatia da abordagem e tratamento personalizado são a chave.

Quem busca os nomes e títulos e os menciona ao telefone ou escreve em panfletos publicitários, deve presumir que o “Sr.”, o “Caro”, ou o “amigo” se sentirá lisonjeado. - “Quanta gentileza, tratarem-me assim” – O “Sr”, O “Caro” ou o “amigo” de coração amolecido, agradece a gentileza e sente-se disposto (na obrigação) a embarcar.

Esta invasão da privacidade, quer por via telefónica, quer por correio, a oferecer ou vender produtos e serviços não solicitados, é inominável.

 

Isto é massacre. Massacre pessoal !!!.

 

Que contrato ou ética autoriza semelhante violência?

 

Jcm-pq

publicado por jcm-pq às 17:36
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